19 Outubro 2021
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Ambiente - Espaços Verdes
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Importância das hortas urbanas Versão para impressão Enviar por E-mail

A necessidade do homem trabalhar a terra para daí extrair alimentos é uma questão de sobrevivência, mas a atração que o homem urbano sente pela atividade agrícola não se explica só pela vontade de aceder a outros sabores que não apenas os oferecidos pelas prateleiras dos supermercados. Tem raízes mais profundas, a que não é alheia uma vontade natural de evasão do ambiente urbano e de retorno a um misto de ócio e trabalho em contacto direto com a natureza.

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Nos últimos anos, a cidade do Funchal tem vindo a crescer rapidamente e ocupado extensas áreas rurais que coexistiam com o espaço urbano, constituídas maioritariamente por bananais, para além de outras frutícolas, vinha, estufas e hortícolas diversas. Tem-se assistido à destruição/abandono progressivo dessas áreas, cuja rega constante e capacidade de evapotranspiração permitia uma redução significativa das amplitudes térmicas. Tal fenómeno irá fazer aumentar a “ilha de calor” (típica dos meios urbanos), com implicações diretas na qualidade de vida e no aumento dos consumos energéticos, pelo recurso ao ar condicionado. A energia gasta no transporte de alimentos de maiores distâncias também é uma opção irracional, sendo desejável que a produção agrícola essencial se faça o mais próximo possível dos centros de consumo.


Em termos genéricos, todos os solos agrícolas devem ser preservados, pois constituem uma reserva de solo para a produção alimentar, mesmo que do ponto de vista conjuntural a sua utilização agrícola se revele pouco interessante. A destruição da capacidade de uso do solo, das suas características naturais ou trabalhadas pelo homem, é sempre um erro estratégico grave em termos de futuro. As áreas agrícolas são essenciais para o funcionamento e estabilidade do território e favorecem o natural desenrolar do ciclo hidrológico, assumindo-se como componentes fundamentais da Estrutura Ecológica da Paisagem.


São inúmeros os benefícios das práticas agrícolas em meio urbano, com destaque para o papel que poderão representar na economia familiar e na qualidade da alimentação, para além de permitirem a redução de matéria orgânica no lixo indiferenciado e de funcionarem como recurso lúdico, de recreio e terapêutico. A substituição de espaços intersticiais e sobrantes da via pública, muitas vezes deixados ao abandono e em degradação progressiva durante anos, pela geometria dos canteiros agrícolas e pela diversidade das suas culturas pode ser também, desde que geridos com alguma disciplina, um contributo importante para a qualidade da paisagem da cidade.


Numa altura em que a ONU considera o fomento da agricultura urbana como o planeamento urbano mais importante do séc. XXI, o concelho do Funchal, como grande centro urbano da Região Autónoma da Madeira, deverá ser capaz de conciliar o desenvolvimento socioeconómico pretendido com as suas potencialidades agrícolas. A ideia de que o espaço urbano deve expurgar a paisagem natural do seu interior, reservando-lhe apenas as sobras da construção, está perfeitamente ultrapassada.

 

 

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