25 Outubro 2021
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50 anos de investigação científica nas Selvagens Versão para impressão Enviar por E-mail
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Teve lugar no passado dia 7 de fevereiro no Teatro Municipal Baltazar Dias uma conferência proferida pelo Dr. Manuel Biscoito, Diretor do Departamento de Ciência da Câmara Municipal do Funchal, subordinada ao tema da investigação e das expedições científicas que ocorreram nas Ilhas Selvagens nos últimos 50 anos.

 A conferência intitulada “Selvagens: 50 anos de investigação e expedições científicas” contou com a presença do Presidente da Câmara Municipal do Funchal, Dr. Paulo Cafôfo, do Comandante da Zona Marítima da Madeira, Capitão de Mar-e-Guerra Félix Marques e outras entidades e juntou mais de 100 pessoas, que durante 45 minutos assistiram a uma apresentação ilustrada sobre os últimos 50 anos de investigação e expedições científicas nas Ilhas Selvagens.

Esta conferência, cuja primeira versão foi apresentada ao Presidente da República, Prof. Aníbal Cavaco Silva num jantar ocorrido na Selvagem Grande no dia 18 de julho de 2013, decorre do facto de se ter comemorado em 2013 o cinquentenário da primeira expedição científica multidisciplinar dos tempos modernos às Selvagens, uma realização do Museu de História Natural do Funchal.

Esta expedição, chefiada por Günther Maul (à época Diretor do Museu) e Charles Pickering, durou 10 dias e contou com a presença de cientistas de diversas especialidades, entre os quais os Drs. Christian Jouanin e Francis Roux, do Museu de História Natural de Paris, os quais a partir daí se mantiveram intimamente ligados ao estudo da fauna ornitológica das Selvagens. Desta expedição resultou a publicação, no Boletim do Museu Municipal do Funchal, de 9 artigos científicos, sobre as aves, insectos, plantas e rochas das Selvagens, constituindo um volume com 170 páginas.

Esta expedição marca, não só o início do estudo sistemático das aves marinhas, estudo esse que dura até aos nossos dias e que ao todo gerou mais de 500 páginas de publicações científicas e envolveu mais de 100 cientistas, mas também um momento crucial na conservação da natureza em geral e da biodiversidade das Selvagens em particular.

Integrado nesta expedição, como observador, seguia um entusiasta do Mar, Paul Alexander Zino, o qual, através do estreito contacto com os cientistas, veio a descobrir a grande vocação da sua vida, a ornitologia. Alec Zino conseguiu em 1967 adquirir os direitos de caça às cagarras, com o propósito de não se caçar e deste modo recuperar a colónia destas aves que estava depauperada por uma caça anual de mais de 30.000 aves juvenis, durante mais de 100 anos. Construiu em 1967/68 uma pequena casa na Selvagem Grande, a qual se tornou a base para os cientistas que lá se deslocavam. A existência desta casa e o entusiasmo do senhor Alec Zino, permitiram não só um enorme incremento do conhecimento científico das Selvagens, como também levaram à criação da Reserva Natural em 1971 e, em última instância, à preservação da fauna que hoje pode ser observadas nas ilhas e cuja tarefa de proteção é hoje da competência do Serviço do Parque Natural da Madeira.

Desde 1963 que passaram pelas Selvagens mais de uma centena de cientistas, isoladamente ou integrados numa das mais de 10 expedições que entretanto se realizaram até à data e das quais se destaca a Expedição MarBis/EMEPC em 2010, que envolveu 4 navios e mais de 70 cientistas que durante 1 mês estudaram a fauna e flora das Selvagens, desde as aves marinhas e do litoral até às profundidades quase abissais. Tratou-se da maior expedição científica realizada em Portugal e organizada por Portugueses e que contou com a participação ativa de vários elementos do Museu de História Natural do Funchal.

Conforme referiu Manuel Biscoito, “o conhecimento científico é uma forma de afirmação da soberania Portuguesa sobre as Ilhas Selvagens e o seu mar” e estes trabalhos continuam na atualidade.

 

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(Texto de: M. Biscoito /DCI)

 
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