25 Outubro 2021
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Invasões Biológicas no Mar da Madeira e o Tráfego Marítimo Versão para impressão Enviar por E-mail
00 Patrício Ramalhosa, investigador do Observatório Oceânico da Madeira e do MARE, foi o orador convidado do Ciclo de Conferências Sextas-do-OOM, no dia 27 de março, pelas 17 horas, na Sala da Assembleia Municipal da Câmara Municipal do Funchal.

As invasões biológicas por espécies não indígenas (NIS) são fenómenos muito comuns e representam uma grande ameaça, quer a nível ambiental, quer a nível económico, podendo causar perdas de biodiversidade de espécies marinhas costeiras. O número das invasões biológicas aumentou significativamente nos últimos anos, em grande parte devido ao transporte de espécies alienígenas nos cascos dos navios (bio-incrustações) e também em águas de lastro.

Nos últimos anos, no arquipélago da Madeira, o Doutor João Canning Clode tem-se debruçado sobre o estudo das invasões marinhas, tendo identificado 16 espécies não-indígenas na marina da Quinta do Lorde, número esse significativamente relacionado com o número de chegadas de embarcações de recreio nessa mesma marina.

Em 2013, o grupo de investigação Canning Clode Marine Lab  iniciou um programa de monitorização de espécies invasoras marinhas na RAM (Mad_MOMIS) efetuando várias amostragens em todas as principais marinas da RAM, em doca seca, nos cascos de embarcações de recreio e também amostragens em lixo marinho flutuante, recolhido por algumas empresas marítimo turísticas que operam ao longo da costa sul da ilha da Madeira.

Neste contexto, e no âmbito do Observatório Oceânico da Madeira (OOM), o projeto tem como grande objetivo o de compilar uma ampla e completa base de dados do tráfego marítimo, ao longo dos anos, em todos os portos e marinas da RAM. Daí toda a relevância da recolha de toda esta informação e tratamento de dados, de registos antigos, de papel para formato digital.

Esta pioneira base de dados irá incluir o número anual de chegadas de todos os tipos de embarcações (cruzeiro, recreio, navios de oceanografia, rebocadores, carga, militares), porto de origem, porto de destino, comprimento de embarcação, quantidade de carga, entre outras variáveis.  

Está disponível online a visualização destes dados, já projetados em mapa, no VISOR-Bio do OOM com as rotas anuais de chegadas do tráfego marítimo à RAM, por vários tipos de embarcações.

O potencial do VISOR-Bio é o de cruzar e relacionar vários tipos de dados e informações recolhidas ao longo dos anos, entre os quais, o trafego marítimo e as invasões marinhas, mas também, as relações entre tráfego marítimo com o avistamento de cetáceos, ocorrências de espécies, áreas de pesca etc.

Futuramente, o Visor-Bio irá introduzir mais dados com estatísticas em tabelas e gráficos referente ao tráfego marítimo na RAM, disponível para todos os utilizadores, não só para investigadores mas também para toda a sociedade.

Durante a palestra, foi apresentado um gráfico do Clube Entusiastas dos Navios  da evolução anual de escalas de navios de passageiros no Porto do Funchal entre 1960-2014, onde foi feita a relação de escalas no porto do Funchal com os factos históricos.  

A linha marítima britânica, Union Castle Line, popularmente conhecida como "Vapores do Cabo" operava uma frota de navios de passageiros e de carga, condicionando o fluxo de imigração da Europa para África do Sul (Capetown) e também para América do Sul e Central entre 1900-1977, com escalas no Porto do Funchal. Entre 1961-1974, durante a guerra colonial, a Marinha Mercante Portuguesa também efetuou escalas no Porto do Funchal com o envio de tropas de e para África.

Foi projetado no VISOR-Bio todas as rotas com escalas no Funchal de navios de passageiros entre 1960-1975, durante a guerra colonial, e com os "Vapores do Cabo" e também, as rotas entre 1976-1985, após guerra (25 abril de 1974 e sem os "Vapores do Cabo"), onde mostra as diferenças das rotas com escalas no Funchal, entre essas datas, durante e o após a guerra colonial, comparando assim as rotas (dados) com os factos históricos.

Projeto financiado pela ARDITI no âmbito do programa Rumos.

 

 

Galeria de Fotos

 

 

(Fotos de: Carlos Lucas /OOM; Texto e Slides de: Patrício Ramalhosa /OOM e MARE)

 
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