20 Outubro 2021
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Estudo de bio- incrustações com diferentes profundidades em uma marina da Madeira Versão para impressão Enviar por E-mail
 06 Durante um estágio de seis meses (janeiro a julho de 2015) Jonas Letschert, um estudante de Kiel, Alemanha esteve trabalhando em vários projetos em uma das equipas de investigação do pólo da Madeira MARE- Centro de Ciências do Mar e do Ambiente sob a orientação do Doutor João Canning-Clode, localizado na Estação de Biologia Marinha do Funchal.

 Esta equipa especializa-se no estudo de organismos sésseis invasores, através de espécies não-indígenas (NIS), que se instalam em todas as superfícies dos oceanos. A este processo de colonização de superfícies é chamado de bio-incrustação, sendo um dos principais vectores de introdução de NIS a navegação marítima, através incrustações de pequenos organismos nos cascos de embarcações, mas também em águas de lastro, onde ocorre o transporte de algas, fitoplâncton, zooplâncton ou outros pequenos organismos em diferentes fases de crescimento larval.

Entre março a junho, Jonas realizou um estudo sobre incrustações em diferentes profundidades de água na marina da Quinta do Lorde. Esta experiência foi executada através da colocação de 3 placas de PVC (10cm x 10cm) colocadas num cabo amarrado aos pontões da marina entre 0m, 2m e 4m de profundidade de água. Após três meses, os lados inferiores das placas de PVC foram analisadas à lupa e foram tiradas fotos das designadas placas para futuras investigações. Todos os organismos incrustantes encontrados foram identificados e categorizados por espécie e mais tarde, todas as fotos foram analisadas pelo programa CPCE (Coral Point Count Excel) para obter informações sobre a abundância dos diferentes organismos.

Foram identificadas cerca de 21 espécies, maior parte destas foram briozoários e tunicados, mas também algumas algas, crustáceos, poliquetas, cnidários e esponjas foram encontrados. Entre os quais, apenas 6 são de espécies nativas, 4 ainda por identificar e 2 são cryptogénicas (origem desconhecida). No entanto, foram identificadas 9 espécies como sendo invasoras, fazendo o total de 43% de todas as espécies incrustantes encontrados neste estudo. A análise estatística não resultou em grandes diferenças significativas na biomassa e nem na biodiversidade das placas a diferentes profundidades de água. No entanto, há uma tendência que mostra um decréscimo de colonização de poliquetas e mais espaço na placa por colonizar com o aumento da profundidade.

No futuro, seria interessante repetir esta experiência de uma forma modificada. Por exemplo, prolongar durante todo o ano, por causa de mudanças sazonais entre comunidade incrustantes, aumentar também a profundidade de colonização das placas na água para mais de 10 metros, comparar incrustações de organismos de uma ou com outras marinas, com incrustações em águas mais expostas, sendo estas fora da marina, com certeza seria um estudo muito interessante.

 

Galeria de Fotos

 

 

 


(Fotos de: Jonas Letschert  /MARE e de Patrício Ramalhosa /OOM e MARE; Texto de: Jonas Letschert  /MARE)

 
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