Noite Aberta na Estação sobre os montes submarinos dos Açores Versão para impressão
01  No passado dia 12 de setembro realizou-se a última Noite Aberta deste ano na Estação de Biologia Marinha do Funchal com o tema Biodiversidade dos Montes Submarinos dos Açores, tendo sido apresentada a primeira campanha do projeto BIOMETORE por Mafalda Freitas.

 Iniciou-se este ano, o projeto BIOMETORE, coordenado pelo IPMA- Instituto Português do Mar e da Atmosfera e cofinanciado pelos fundos EEA grants, que pretende aumentar o conhecimento da biodiversidade dos principais conjuntos de Montes Submarinos do Atlântico Norte (Great Meteor e Madeira-Tore). Este projeto conta com inúmeros parceiros nacionais e internacionais e envolve investigadores científicos de diversas áreas incluindo os biólogos da Estação de Biologia Marinha do Funchal e Museu de História Natural do Funchal.
    
A primeira campanha de mar decorreu durante todo o mês de julho e início de agosto a bordo do navio Arquipélago, coordenada pelo DOP/IMAR/MARE e estudou  os montes submarinos Pico Sul, Tyro, Irving e Great Meteor, utilizando vários equipamentos, para recolher e amostrar os peixes demersais ou de fundo e os crustáceos que ocorrem nestas áreas. Por se situarem numa zona remota e de difícil acesso, em geral, estes montes submarinos são ainda mal conhecidos. Apesar disso, enquanto os montes submarinos Tyro, Irving e Great Meteor já foram objeto de campanhas científicas anteriores, o Pico Sul continua desconhecido aos cientistas.

A formação dos montes submarinos está associada à atividade vulcânica ou movimentos tectónicos. São, assim, complexos geológicos atravessados por fissuras, falhas, canhões submarinos e cavernas que poderão fornecer condições adequadas para a colonização de fauna muito diversa, bem como o desenvolvimento de comunidades de epifauna (ex: esponjas e corais de água fria), atraindo espécies de peixe oceânicas e de profundidade. Estes sistemas submarinos influenciam a hidrografia e correntes do local de forma bastante complexa e são ainda muito pouco compreendidos.

Na Noite Aberta, foram apresentados os resultados preliminares desta campanha que contou com a presença de Mafalda Freitas da Estação de Biologia Marinha do Funchal e de Ricardo Sousa ligado ao grupo da DSIP (Direção de Serviços de Investigação e Desenvolvimento das Pescas). Foram utilizados mais de 22.600 anzóis e mais de 55 km de cabos com o palangre de fundo. No caso dos covos, largou-se mais de 15 km de cabo para um total de 80 covos. No total em todas as manobras de largada e alagem dos aparelhos de pesca utilizados largaram-se mais de 140 km de cabo, mais do que dar a volta à ilha do Pico! A investigação do mar profundo é difícil e exige meios e técnicas muito próprias o que faz com que estes ambientes, que constituem mais de 2/3 do planeta terra, permaneçam ainda em grande parte desconhecidos.

 

Galeria de Fotos

 

 

(Fotos de: Flávio Martins /DCRN; Texto de: Gui Menezes /IPMA, Luísa Costa e Mafalda Freitas /DCRN)